23.3.06

Da necessidade inerente

É chegada a hora de ausentar-se dos outros, desaparecer para reaparecer em si mesmo. Não mais proclamar a palavra, para que ela em mim se proclame. os versos soltos no ar ão de encontrar repouso. Somente assim é possível buscar a palavra original, ou qualquer coisa que apeteça, a forma inaudita, a consciência de não mais estar para em seguida emergir com algo a contar, a expor.
É chegada a hora de entregar-se ao torpor, fugir da imagem que a mim foi pregada, como em louvor ao poeta que não faz nada, a não ser figurar entre amigos. Chegou a hora de costurar palavras além do umbigo-abrigo.
Não se trata, pois, de fuga ou coisa que o valha, mas de solidão consentida, escolha mesmo, destas que se fazem vivas quando o homem sente-se morto.
Quero que esta larva de língua, este vício de dizer, seja sufocado aos poucos, com a perna no pescoço.

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