7.2.06

A Mário Quintana


O que pode o homem contra a mão incansável do tempo?

Inventar para si um novo tempo
e fazer do lirismo uma arma de guerra,
enxergar poesia
até no que o gato enterra,
como se pela manhã
três sóis brotassem na janela,
como se cada tom de cinza de um dia escuro e triste
guardasse em si a possibilidade de virar aquarela,
brilhante como o lírio
estampado no vestido da moça bela.

O poeta cruza a soleira da vida
e faz de si parte da terra, das tardes melancólicas,
dos soluços da madrugada vazia...
e quando ressurge o dia
o poeta com ele renasce e vive cada instante,
depois dobra o dia, põe no bolso
e acolhe a noite com a resignação
de quem sabe que é guardador de nuvens,
tecelão de sonhos, fabricante de luz,
sagaz-lúdico-homem,
inocente gato com guelrras.

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