1.8.05

Sobretudo, isto!

Às vezes só me é preciso fechar os olhos para enxergar com clareza na imensidão do mar vazio do escuro infinito. E eis que passeio num cavalo alado pelo pensamento nosso, tangenciando as mentiras mudas, aprofundando nos gritos rocos da verdade que teima em não calar-se. E assim vou eu, sobrevoando teus olhos mirantes, às vezes trêmulos como num agonizante desejo de entregar-se em beijos cênicos. E assim vamos nós mais uma vez de lábios celados, rumo ao sofá macio deste deserto de oásis frágil, numa miragem ardente de nos tornarmos apenas um em um quão momento. Mas como um bom medroso, nunca entrego-me fácil e assim se vão, mil pedacinhos em vibratos coloridos derretendo-se ao ar, poluindo nossa nudez de selva virgem, fechando os portões da lagoa à beira daquele tão sonhado piquenique; e nos minutos de silêncio, o sussurar dos ponteiros segundos, terceiros, quartos, salas, cozinhas e banheiros. E nós alis; ali, ali e ali, parados. Às vezes só me é preciso abrir os olhos para cegar vazio o mar infinito da clareza escura. Às vezes só me é preciso o teu abraço quieto e apertado.

1 De lírio(s):

Blogger geo ...

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05 agosto, 2005 17:42  

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