6.6.05

Crítica às Críticas...

Este texto é direcionado diretamente à repórter Chris Duarte, referente ao artigo de 28 de maio de 2005 sobre a coletânea Quintal no Caderno Dois de "O Jornal".

Bem, inicio pedindo um humilde obrigado por destacar a música Maré Tchau como a mais interessante do disco, mas confesso que fiquei um pouco triste com a matéria pelas referências feitas a algumas bandas e suas supostas influências. Creio que teria sido mais proveitoso se tivesse ocorrido uma entrevista com as bandas para saber suas verdadeiras raízes e de onde elas se inspiram.

Minha tristeza também vem da parte de o Mangue Beat ter sido tão ressaltado em um artigo sobre bandas locais que buscam na cultura local suas "inquietações musicais" e aí sim pode ser ver um pouco de influência com o movimento pernambucano, movimento este que abraçou artistas locais, como a antiga Living in the Shit, que apesar de ser alagoana era vista pelos próprios "Caranguejos com Cérebro" com do Mangue.Influência está que estar em pegar a cultura local e publicar em forma de música, exatamente como eles fizeram, enraizar-se na cidade em que se vive.

Acredito também que a analogia feita com minha voz e a de Science é errônea, principalmente na faixa Na Roda, as duas vozes têm características diferentes e muito fortes. Nossas influências nunca foram de Chico, sempre tomamos esse cuidado, para não ouvirmos (ou lermos) coisas deste tipo. Confesso agora que realmente possuo bastante influência de Mundo Livre S/A, banda a qual sempre achei melhor do que Chico Science e Nação Zumbi, a qual se encontra o verdadeiro idealizador do movimento citado pela senhora (que deveria saber disso).

Sobre o assunto de que misturar rock com regional começar com o "bendito" Mangue, acarreta em mais um erro na matéria, pois isso jáse fazia e deixo como exemplo as primeiras obras desde o Tropicalismo, de maneira bem menos acentuada e até pelo próprio rock'n'roll maluco beleza, Raul Seixas. Chico e cia. apenas caíram nos olhos da mídia e público sobre outro prisma. Eles não foram os primeiros e nós não seremos os últimos. Isso de se misturar culturas foi usado pelo próprio Oswald Andrade e sua turma antropofágica.

Dizer que a Dharma têm influências dos "barbudinhos" foi um outro errinho básico, já que a banda que realmente tem isso é a 32Dentes (ao meu ver). E na afirmação de que a Poeira Nordestina tem influência do Mestre Ambrósio (com M maiúsculo e não minúsculo), que de mestre não tem nada, pois o nome é de um grupo musical, acarreta na soma de mais um, nestes mesmo erros, pois a Poeira Nordestina sim, é a banda mais alagoana que já conheci.

Voltando agora a faixa de Maré Tchau, é uma pena não ter tido uma citação sobre a rabeca de nosso integrante Adelmo, pupilo do grande mestre Nelson da Rabeca e não vi a necessidade de afirmar que brincar com as palavras não é inovador, já que isto é uma coisa tão clara e acontece desde que existe a escrita, desde que existem os poetas.

Peço desculpas por minha sinceridade e espero que a senhora procure ir a alguns shows destas bandas, pois duas faixas não mostram a verdadeira cara dos grupos e na realidade, este é o intuito da coletânea, divulgar as bandas abrindo caminhos ao público.


Por fim, deixo um link de um antigo artigo do vocalista da banda Dr. Charada sobre jornalismo...

Os Cinco Mandamentos Básicos do Bom Jornalista Cul

E termino com a famosa frase: "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Não estamos aqui para inovar. Esperava não ver tanta negatividade em nosso projeto numa matéria de jornal na seção cultural do mesmo.

6 De lírio(s):

Anonymous Carol ...

Eu como comunicadora (mas felizmente não jornalista) não queria estar no lugar desta supra citada, nem muito menos ter tido a infelicidade de acessar seu blog. Ou melhor, eu poderia até estar pq gosto de críticas, mas nao sei se ela como jornalista gostaria...eles não costumam ser muito humildes...

PS. A propósito, utilizei um post antigo seu no meu fotolog. Com os devidos créditos é claro. Espero que não me critique por causa disso, nem que escreva um post desse tipo pra me condenar :P

06 junho, 2005 17:18  
Blogger 5 ...

Jornalistas são preguiçosos. Não citarei aqui a festa entre jornalistas, advogados, tripas, um homicidio e um suicidio.

Interpretações estão intrinsecamente ligados às nossas influências e experiências pessoais. É aí que os jornalistas costumam errar (ou talvez, nem isso), dependemos apenas do SER PARCIAL e NÃO SER PARCIAL.

E mesmo, que haja uma NÃO-PARCIALIDADE, os pontos de vistas distintos terão que ser conhecidos&atribuidos e partir disto emitir a tal interpretação parcial e pessoal.

E claro, a preguiça e "tempo"(ou espaço) de pauta não permite tal façanha.

A exemplo, EU, vejo diversas SINCRONICIDADES na música. Certa feita comentei com o Otávio sobre o RIFF de uma música do Dr. Charada que era idêntico ao arranjo de piano de uma música dos Beatles (aliás, bem simples), fiquei surpreso ao saber que o mesmo nem conhecia a música.

Jornalistas assim, são burros. Nem ao menos sabem, que INFLUÊNCIAS são TUDO, TUDO que nos cerca, às lágrimas contidas ao filme pornô da matinê, as conversas terceiras no ônibus, ao derramamento de cerveja, o esporro da mãe e o vento nos cabelos. Simplesmente TUDO. No caso da música, os instrumentos são meramente CONDUTORES e PROCESSADORES, fazem o trabalho do MIX das influências. E como sempre disse, faço das cordas minha caneta.

Sobre a coletânea, acho que as bandas ali, muitas não demonstraram verdadeiramente o que são, ninguém consegue isso em coletânea. Um dos fatores disso é DINHEIRO e PRODUÇÃO, entrar em estúdio é dificil, dinheiro é pouco e produção, a maioria das bandas do disco, não possuem ou possuiam qualquer experiência do tipo. Amadurecer é a palavra, constante evolução.

Talvez eu tenha esquecido algo.

Ah sim, o CAIR nos olhos que tu falou sobre Chico chama-se APOIO MACIÇO da Sony Music (principalmente a Japonesa), inclusive o Afrociberdelia só saiu por causa da pressão da Sony Japão e Europa. Claro, isso não desmerece em nada todo o PODER COSMICO de Chico e Cia. Eles foram e continuam sendo FODA.

Mal sabe a Senhorita Jornalista, que Maré Tchau, talvez o MEME da mesma, tenha nascido numa aula de pré-vestibular:
"- pô Artur, já pensou em usar coisas de matemática em música?"
Daí, o SUSTENTO P.A. da CIDADE P.G.

De resto, saudades por aqui.

07 junho, 2005 21:08  
Blogger 5 ...

ahhh, eu não sou PARCIAL.

quiçá, PARSIFAL.

mediocridade é uma coisa absurda.

07 junho, 2005 21:09  
Blogger mabem ...

meu grande amigo 5ync... te amo demais, como já sabes, mas te amos mais ainda por ter completado tão perfeitamente bem meu texto... acho que vou editá-lo e lher dar créditos... eh... farei isso... melhor ainda... este texto foi enviado a edição de O Jornal... aliás, eu mesmo o farei... te amo gordinho :D

08 junho, 2005 01:06  
Blogger mabem ...

Gostaria de citar também que odeio de todas as formas possíveis ser comparado com um pernambucano, respeitos as pessoas de lá, principalmente os artistas e com muito valor, tem até uma certa inveja do investimento estatal que acontece a favor da cultura, mas o problema é que quanto mais somos comparados, mas perdemos nossa identidade, assim como o Brasil cresceu às custas dos negros, Pernambuco cresce às nossas custas e o povo ver isso e fica calado e esta matéria foi um ótimo exemplo disto. Não posso ficar calado diante de tão calamidade, EU NÃO SOU O CÚ DE PERNAMBUCO!!! E que isso fique bem claro.

Nossa cultura é mais vasta do que a deles e na verdade, mais do que isso, pois a cultura pernambucana tem raízes fortes nas terras alagoanas, o Maractu por exemplo, ums dos simbolos do vangloriado MangueBeat era dançado em Alagoas quando Chico nem pensava em existir, nós fomos roubados culturalmente e estamos sendo individualmente também.

Enquanto os próprios pernambucanos abraçam e vestem as famosas camisetas com a bandeira de pernambuco por todo o país, eu sou obrigado a ler uma matéria de uma jornalista (ou repórter, como tinha no jornal, nem sei qual a diferença neste caso) que como boa parte de meu povo, balança o ovo dos "saqueadores".

Gente, o maior dos heróis é nosso e concordo em gênero, número e grau com o Aldo da banca Zumbi dos Palmares, quando o mesmo também diz isso. Existem teorias de que a própria capoeira nasceu em cativeiros alagoanos. Nós somos os donos do Guerreiro e não preciso citar todos os outros tantos folguedos que nós possuímos.

Mas o quê? Se eu bater tambor, eu sou Pernambuco? Pro diabo que te carregue...

Alagoas, ao meu ver, parece ser a senzala de Pernambuco e já está bem na hora disso tudo mudar.

08 junho, 2005 01:40  
Blogger 5 ...

isso me faz lembrar um SLOGAN que rolava num comercial, logo quando cheguei em Maceió.

"Se no Recife tem, na Casa do Colegial também tem!"

08 junho, 2005 20:17  

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