24.1.05

Toinho esbravejou fogo de suas narinas fazendo todo o cinema ficar mudo pela segunda vez. Um vômito pálido saira por derredor de seus lábios. Suas veias oculares saltavam em palpitação rítmica, no contratempo das batidas de seu maleável coração. Mariazinha se encontrava em pé, ao lado direito de seu pai, todo poderoso, senhor das terras que abrange desde o sul até o norte de Capirissiringa. E ele continua ali, melando seu sangue no sangue do maledito. Mariazinha chora, chora como uma Iara presa num circo de inutilidades perpétuas, chora a dor da perda e a alegria da liberdade incondicional. Mas Toinho que se sentira tão forte nos dois últimos minutos, tão forte quão nunca fôra em toda sua vida, sente-se o mais fraco de todos os homens, mais fraco que Zé Pedro da padaria, cuja a esposa lhe corneia uns chifres bem pontudos todos os sábados e vai com ele à missa de domingo pedir carinhos ao padre no confessionário. Mais fraco que o Mané das cabritas, pobres bichinhas injustiçadas pelo apetite sexual de um louco que cresceu só nesse mundo que às vezes é irrigado por São Pedro. Toinho não aguentou, mesmo vendo a felicidade estampada no rosto de sua vida em forma feminina, ele não aguentou. Seus pulsos pulsaram tão rápido que suas pernas fraquejaram e seus joelhos molharam no sangue calvo do Sr. Cação Resende que ainda vivo, enfiou-lhe a peixeira nas costas, num último ato de maldade para com alguém daquele povo varrido pra debaixo do tapete insano do mundo.

0 De lírio(s):

Postar um comentário (Comentar)

<< Início