10.1.05

Diante os acontecimentos dos últimos dias, não posso ficar estagnado corroendo-me de indignação, fúria ou qualquer tipo de sentimento tão humano quanto qualquer outro. Sobre o "FATOR RESPONSÁVEL" pelo ato, só penso em um castigo para ele, amarra-lo em praça pública e deixar que seja sodomizado por um cavalo manga-larga. Pois morrer é mole, dureza é enfrentar humilhação.

E para Rá, com qual não tive um relacionamento tão intimo e estreito, e sim nos lugares da vida, nas noites de bebedeiras intermináveis, criando sons inimagináveis, sorrisos largos de hálito azedo. Pois é, o rapaz por horas querido, por vezes desprezado (perante sua infinita insistência de "acompanhar" com sua gaita qualquer barulho com sucessão agradável de sons), se foi. Digo, fisicamente, e cedo para muitos.
As coisas podem não parecer tão fáceis, enfim, somos nós que complicamos. Desnudemo-nos de nosso egoísmo ocidental. Senhores, Senhoras, as pessoas só estarão mortas, quando delas não houver lembrança. E no que depender de mim, Rá continuará vivo, em minha lembrança.
Como todos aqueles que passaram em minha vida e que se foram pelo tempo, ou por acontecimentos trágicos, costumo guardar uma lembrança simples ou complexa, rotineira ou insólita.
Pois bem, do Rá, a memória que se faz mais aparente em minha mente:

O lugar, UFAL, o ano não me vem ao certo. Desenrolava-se no gramado-capim-lama o II FUCA. Estava, eu, sentando num tronco, próximo os instrumentos da Dona Maria, que seria uma das atrações da noite. Dedilhava como de costume meu violão e como de costume o Rá se aproximou. Também como força do hábito, me pediria ele, um blues, inverti o processo e saquei rapidamente o som do violão, Salve Salve Estrelinha (composta por mim e Artur, música e letra nesta mesma ordem). Rá, com reflexo voraz, puxa sua preciosa gaita e acompanha-me, logo, nos acompanhamos. Som feliz e sorridente saiu naquela noite, na qual a única estrela estava no título da música. Findado o som, como de costume Rá me pede um cigarro.

Esta, minha memória mais querida e feliz que tenho dele, é claro que muitos foram os momentos juntos antes e depois deste, mas esta em particular está guardada, aqui.
Pois é, meu camarada Rá, queria muito ter estado no seu enterro, e com a alegria de minhas lembranças, depositado em seu caixão, meu último cigarro ofertado para ti e com meu violão te honrar com uma salva de "Salve Salve Estrelinha".

Siga em paz, amigo. Onde quer que seja.

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