21.1.05

Assum olhou levemente pelo ombro esquerdo e confirmou o que seu medo tanto cogitara com a angústia de quem está sendo seguido, eram eles, com certeza eram eles e a dúvida corroeu seu corpo como vermes decompositores restejando perantes seus implacáveis destinos de revirar e refazer buracos em defuntos frios e pálidos. O que fazer diante de tal situação? Correr? Não, não seria a melhor idéia, podia empunhar o 38 prateado que trazia na região penial, mas ele nunca foi disso, ainda agora, ele nem sabe ao certo o porquê do porte de tão perigosa relíquia. Mas é assim que a vida traça seus planos, desviando-lhes de uns caminhos perigosos uns dias, para por-lhes em outros piores depois, poderia ser engraçado, se não fosse tão trágico e puf... Nosso herói acaba de perceber as gotas de suor escorrendo pelo rosto preto da cor de carvão, nunca mais namorará nenhuma loira, muito menos essas com cara de sem-vergonha que nos faz suspirar no deleite do pecado carnal. Ah! Lorinha fia da peste! Como era gostosa... ele sabe disso e como sabe... toda santa noite iam os dois, num contraste corporal de dar inveja a qualquer prostituta de shopping center... toda santa noite atrás da igrejinha. Só que um dia a fia da peste num foi, ele esperou, esperou, esperou, mas a fia do cranco num foi, por isso hoje ele corre assim desesperado. Finalmente lembrou, como de susto, o que a droga da arma lhe fazia na cintura. "Eu sinto muito." - Foram suas últimas palavras jogadas ao léu do rosto branco de seu copinho de leite, jogadas segundos depois de abravariar dois tiros ao meio daqueles seios tão decilicios que despertara malícia nos rapazotes da região. Agora corre, corre que o bicho vai pegar, antes tivesse atirado no frangote que corniava uns chifres salobros em sua cabeça encaracolada, mas destino é destino, não se vai contra ele. "Corre negão, corre filho da puta, corre que eu quero te ver suar" - Foram as últimas coisas que ouviu antes de disparar a terceira bala em sua própria cabeça - "Corre negão, corre que eu vou te fazer chegar no inferno."

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