7.12.04

um contozinho antigo

o dia em que meu peito parou

cap.1 - bala perdida

estava preparado para dormir, senti algo estranho, um barulho de janela
quebrada, uma forte do dor no peito, levei as mãos ao mesmo e pude
sentir um líquido quente escorrer por entre meus dedos, estava fraco,
assustado, meio que entendendo tudo, mas sem entender coisa alguma,
consegui esticar meu pescoço e pude ver minha camisa cheia de sangue,
entrei em desespero, um quieto desespero, olhei para trás, tinha vidros
no chão, de minha janela quebrada, "uma bala perdida", foi tudo o que
pude pensar com a consciência, foi tudo muito rápido, e não conseguia
suportar aquela dor, esse papo de filminho no momento da morte, não
vi nada disso, de repente a dor foi sendo substiuída por fraqueza,
um certo tipo de sono...


cap.2 - meu próprio sangue

acordei meio anestesiado e sentir muito frio, não entendia o porquê
daquele sonho esquisito, quase nunca lembro de meus sonhos e este
parecia tão real, mas não era, eu estava vivo, vivinho da silva,
foi quando percebi algo errado e olhei, como no ímpeto, lentamente para
trás, tinha vidros no chão, de minha janela quebrada, eu não pude
acreditar, estava acontecendo de novo, mente repetitiva, nunca mais eu
tive isso e... puf... meu sonho, lembrei ter sido do sonho aquela cena
louca, confusa, mas o pior estava por vir, o que vi? chorei quando vi,
meu corpo em minha própria cama, nenhum de vocês há de imaginar o que
é ver o seu próprio corpo morto, sem um pingo de movimento, morto, cheio
de sangue no peito e no colchão, eu não conseguia acreditar em nada
daquilo tudo, eu havia desencarnado, eu já acreditava no espiritismo,
mas não queria, não estava preparado para me ver naquela situação...


cap. final - o filme

fui acalmando-me lentamente e aí sim foi passando aquele filminho
retrospectivo da última vida, a primeira coisa que me veio a mente,
foram minhas bandas, a cogumelos cheia de atitudes e sons e pegadas
loucas, a dona maria, na minha opinião, a primeira banda a fazer algo
realmente alagoano (que pretensão), pôxa, duas coisas, duas vitórias
musicais minhas, ou melhor, da qual fazia parte... e agora? como ficará
tudo?.. depois venho-me a mente a rosto de minha melhor amiga, a pessoa
que mais prezo, aquela que confiei até o fim de minha vida (literalmente),
mas ela me menosprezou, deixou-me na vez que mais precisei dela, eu sabia
que algo estava para acontecer e pedi-lhe para vim me ver, mas sempre
algo acontecia e ela não vinha, ela podia fazer tudo, conseguia fazer
tudo, mas nunca conseguia vim me ver, eu não a culpo, mas acho que ela
podia ter se esforçado mais, agora é que ela não vai me ver mesmo,
além dela vieram outras, algumas tão sinceras, uma delas
sei que vai sentir minha falta de verdade, com o coração, não com o
egoísmo, como outras, que com o passar do tempo foram de decepcionando
cada vez mais, veio-me uma, a qual não consegui me perdoar até hoje pelo
vacilo que a fiz, desculpa, lembrei de outra, a qual todos dizem
que sou eternamente apaixonado, mas vou dizer-lhes, sintonia não está só
no corpo, tem a ver com a alma, o espírito, e essa nunca teve isso comigo,
lembrei de várias amigas e amigos, mas esses nunca me entenderam de
verdade...

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