29.12.04

Às vezes eu sinto medo do meu quarto assim, escuro. Ligo a TV. Não tomo banho se estiver sozinho a noite. Ela fica me olhando, fitando-me do lado de fora do box. Do mesmo jeito que faz agora, atrás de mim. "O controle remoto está bem ali" - penso comigo mesmo. Mas será que eu nunca vou enfrentá-la?

"O que será que você quer? Não, não... não diga... perguntei para mim mesmo". Os pensamentos consomem os restos gelatinados de coragem. Por fim, suspiro. Retorno os olhos fixos ao papel e a caneta. Onde será que coloquei a tampa da caneta?

De repente eu penso: "Ali?"
Não fui eu, eu juro.

"O que peste queres de mim?! Não, não... não diga... eu já não disse... nem deveria estar lhe dirigindo a palavra... vai ver você nem existe". Vai ver é isso, produto desta plantação de terra fértil que alguns chamam de imaginação. Mas não adianta, dá um medo da gota...

Gota, peste... acho que já... é bom parar por aqui... jogar a sorte pra sorte é um lanche pra malandro. "Tchau garotinha loira, não me espie enquanto eu tomo banho" Cá eu de novo falando com ela. Onde estava mesmo o controle da TV?

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