30.12.04

Sabe o que é pior de não ter passado nos vertibulares das Federais que fiz? Enfrentar a cara dos meus pais, com certeza. Os dois afirmando, cheios de convicções que eu não estudei, pq. estava sempre nos shows, sempre ensaiando, sempre tocando, mas bah... isso não quer dizer que eu também não estive estudando em casa, eu posso não ter estudado no ritmo que eles queriam ou não ter estudado o suficiente... bem, suficiente mesmo eu não estudei, está aí a prova, vacilei em alguns horários e aprendi isso em cima demais, mas com certeza aprendi as táticas de como se estudar em casa, com certeza no próximo eu passaria, mas quer saber? Não tenho a mínima vontade de passar por isso tudo de novo, na minha opnião, já estou velho demais pra saber sobre as briófitas e as pterodófitas.

O que mais me deixa chateado é que agora eu vou ver a cara de reprovação e ainda mais, quando eu disser que estou de saída ou que dormirei na casa de algum amigo, até parece que o cara agora tem que entrar dentro da foça e ficar lá de castigo, como um presidiário mal-comportado que tem que passar um mês de solitária. Um dia desses meu pai andou falando pelas minhas costas que os cursos que fiz foi perda de tempo, engraçado que foi ele que fez eu terminar o curso de eletrônica, pois já tinha dito a ele que perda de tempo já seria. E quando entrei no IBRATEC, até ele se empolgou pra entrar lá também, quanta hipocrisia dentro de minha prórpia família. A dondoca da minha mãe, senhora que vive para sugar o dinheiro de seu esposo, nunca terminou a faculdade e vive dizendo por aí que é formada em psicologia, alguém pode me responder que se ela é formada realmente nisto, pq. ela não utiliza para o bem dos filhos, ao invés de falar mal com as amigas de copo. Eu sinceramente, não entendo, por mais que me esforce. O engraçado do meu pai, vivia me tirando pra fazer coisas pra ele e justamente nos horários que reservei para meu estudo caseiro, mas a culpa sempre será da cervejinha que fui tomar na sexta-feira ou do ensaio de sábado a tarde.

Quer saber, eu deveria mesmo ter tentado pra música. Se fosse isso mesmo o que eu queria. Acho que preciso primeiro, admitir isto pra mim.

Da Série Filosofias de Bar

O que incha não é a cerveja e sim a barriga!

29.12.04

Boa Noite!

Às vezes eu sinto medo do meu quarto assim, escuro. Ligo a TV. Não tomo banho se estiver sozinho a noite. Ela fica me olhando, fitando-me do lado de fora do box. Do mesmo jeito que faz agora, atrás de mim. "O controle remoto está bem ali" - penso comigo mesmo. Mas será que eu nunca vou enfrentá-la?

"O que será que você quer? Não, não... não diga... perguntei para mim mesmo". Os pensamentos consomem os restos gelatinados de coragem. Por fim, suspiro. Retorno os olhos fixos ao papel e a caneta. Onde será que coloquei a tampa da caneta?

De repente eu penso: "Ali?"
Não fui eu, eu juro.

"O que peste queres de mim?! Não, não... não diga... eu já não disse... nem deveria estar lhe dirigindo a palavra... vai ver você nem existe". Vai ver é isso, produto desta plantação de terra fértil que alguns chamam de imaginação. Mas não adianta, dá um medo da gota...

Gota, peste... acho que já... é bom parar por aqui... jogar a sorte pra sorte é um lanche pra malandro. "Tchau garotinha loira, não me espie enquanto eu tomo banho" Cá eu de novo falando com ela. Onde estava mesmo o controle da TV?

"O cadáver jazia de costas, no meio do aposento, de braços e pernas abertos. Vestia um roupão rosado por sobre a roupa de dormir e calçava chinelas. O médico ajoelhou-se ao seu lado e dispôs-se a examiná-lo à luz da lanterna portátil que apanhara de cima da mesa. Apenas um lanço d'olhos à vítima foi suficiente para certificá-lo que sua presença já não era necessária. O homem tinha sido morto de maneira horrível. Atravessada sobre o peito, via-se uma arma curiosa: uma espingarda de dois canos, os quais haviam sido cerrados a um pé do gatilho duplo. Era evidente que tinha sido descarregada à queima-roupa e que a vítima recebera toda a carga no rosto, causando-lhe completo esfacelamento da cabeça. Os gatilhos haviam sido amarrados com arame, a fim de que a descarga simultânea fosse mais destruidora."

Sherlock Holmes - O Vale do Terror
por Sir Arthur Conan Doyle

Tradução de Álvaro Pinto de Aguiar
Editora Ediouro

Título Original: The Valley of Fear

23.12.04

Deliciosamente Ébrio

Testamento

Deixo, antes de tudo, um imenso desejo de paz aos que precisam. Aos meus amigos, os poucos e quase verdadeiros, deixo as poesias guardadas no HD de arquivos-documentos. Aos meus familíares deixo um imenso beijo e a certeza de que estou bem e por favor não chorem por mim. As mulheres que um dia tive, finalmente vocês se livraram de mim, por isso não preciso deixar nada. Ao meu verdadeiro amor, deixo apenas uma lágrima de tantas que já foram derramadas. Aos meus companheiros de banda, deixo as letras ainda inéditas que estão no mesmo HD supracitado. À minha mãe, deixo muitas rezas e pensamentos positivos. Ao meu pai, deixo o espelho que um dia criei de herói periódico.

À todos: Deixo o pedido de que tomem uma cana em homenagem a pessoa que vocês julgam que pude ter sido. Deixo também guardado comigo, no túmulo, todos os segredos e ressentimentos. Desejo também um feliz natal e um ótimo ano novo, só para manter a tradição e que o bom velhinho deixe de iludir as criancinhas com essa bosta de cultura hipercapitalista ou que pelo menos ele venha de bermudão de surf e fumando muita maconha, pra ter uma característica bem do hemisfério sul.

19.12.04

Filme pra Semana:

Efeito Borboleta


Muito bem recomendado... pelo que ouvi da história... muito bom...

Sinopse:

Evan (Ashton Kutcher) é um jovem que luta para esquecer fatos de sua infância. Para tanto ele decide realizar uma regressão onde volta também fisicamente ao seu corpo de criança, tendo condições de alterar seu próprio passado. Porém ao tentar consertar seus antigos problemas ele termina por criar novos, já que toda mudança que realiza gera consequências em seu futuro.


Onde Baixar

Final Alternativo


Os links acima são para arquivos bittorrents!!!

O que é Bittorrent?

15.12.04

Acabei de ter outro sonho estranho, onde eu tentava acordar e continuava sonhando. E neste sonho o walkman tocava jovem pan, a tv estava desligada e ela estava conectada na casa de uma amiga usando webcam, só aí percebi que era o sonho e eu acordei e percebi que estava apenas dormindo, aí eu acordei de verdade e liguei a tv, vou assistir os Simpsons.

7.12.04

um contozinho antigo

o dia em que meu peito parou

cap.1 - bala perdida

estava preparado para dormir, senti algo estranho, um barulho de janela
quebrada, uma forte do dor no peito, levei as mãos ao mesmo e pude
sentir um líquido quente escorrer por entre meus dedos, estava fraco,
assustado, meio que entendendo tudo, mas sem entender coisa alguma,
consegui esticar meu pescoço e pude ver minha camisa cheia de sangue,
entrei em desespero, um quieto desespero, olhei para trás, tinha vidros
no chão, de minha janela quebrada, "uma bala perdida", foi tudo o que
pude pensar com a consciência, foi tudo muito rápido, e não conseguia
suportar aquela dor, esse papo de filminho no momento da morte, não
vi nada disso, de repente a dor foi sendo substiuída por fraqueza,
um certo tipo de sono...


cap.2 - meu próprio sangue

acordei meio anestesiado e sentir muito frio, não entendia o porquê
daquele sonho esquisito, quase nunca lembro de meus sonhos e este
parecia tão real, mas não era, eu estava vivo, vivinho da silva,
foi quando percebi algo errado e olhei, como no ímpeto, lentamente para
trás, tinha vidros no chão, de minha janela quebrada, eu não pude
acreditar, estava acontecendo de novo, mente repetitiva, nunca mais eu
tive isso e... puf... meu sonho, lembrei ter sido do sonho aquela cena
louca, confusa, mas o pior estava por vir, o que vi? chorei quando vi,
meu corpo em minha própria cama, nenhum de vocês há de imaginar o que
é ver o seu próprio corpo morto, sem um pingo de movimento, morto, cheio
de sangue no peito e no colchão, eu não conseguia acreditar em nada
daquilo tudo, eu havia desencarnado, eu já acreditava no espiritismo,
mas não queria, não estava preparado para me ver naquela situação...


cap. final - o filme

fui acalmando-me lentamente e aí sim foi passando aquele filminho
retrospectivo da última vida, a primeira coisa que me veio a mente,
foram minhas bandas, a cogumelos cheia de atitudes e sons e pegadas
loucas, a dona maria, na minha opinião, a primeira banda a fazer algo
realmente alagoano (que pretensão), pôxa, duas coisas, duas vitórias
musicais minhas, ou melhor, da qual fazia parte... e agora? como ficará
tudo?.. depois venho-me a mente a rosto de minha melhor amiga, a pessoa
que mais prezo, aquela que confiei até o fim de minha vida (literalmente),
mas ela me menosprezou, deixou-me na vez que mais precisei dela, eu sabia
que algo estava para acontecer e pedi-lhe para vim me ver, mas sempre
algo acontecia e ela não vinha, ela podia fazer tudo, conseguia fazer
tudo, mas nunca conseguia vim me ver, eu não a culpo, mas acho que ela
podia ter se esforçado mais, agora é que ela não vai me ver mesmo,
além dela vieram outras, algumas tão sinceras, uma delas
sei que vai sentir minha falta de verdade, com o coração, não com o
egoísmo, como outras, que com o passar do tempo foram de decepcionando
cada vez mais, veio-me uma, a qual não consegui me perdoar até hoje pelo
vacilo que a fiz, desculpa, lembrei de outra, a qual todos dizem
que sou eternamente apaixonado, mas vou dizer-lhes, sintonia não está só
no corpo, tem a ver com a alma, o espírito, e essa nunca teve isso comigo,
lembrei de várias amigas e amigos, mas esses nunca me entenderam de
verdade...

4.12.04

Engraçado como nós esperamos pela morte a vida toda.

3.12.04

De quem são os olhos por trás da cara de palhaço?
De quem é essa pele por trás do nariz de palhaço?
E será que este palhaço sorridente também chora?
Então de quem são as lágrimas pintadas nas bochechas do palhaço?

E essa barba mal feita por trás da tinta, senhor palhaço?
Quem foi que te fez essa roupa?
Quem te desenhou todo de azul?
E por quê azul?
Não poderia ser vermelho?
Ou até mesmo amarelo para combinar com os seus dentes?

Senhor palhaço
Por que é que não fico feliz ao te ver?
Muito pelo contrário

Ontem fantasmas invadiram meu quarto, atrapalharam meu sonho, fizeram-me dormir com a televisão ligada e o pior de tudo; no meio de uma poesia.