17.8.04

Júlia deitou-se de lado e não mais quis acordar. Estava sofrendo por ter um caráter egoísta e por nunca saber o que realmente é certo. Gostaria de não ter culpa, mas tem e ela sabe bem disso. Fica imaginando o quão desejou o cara ideal e quando conseguiu, descobriu que ele não existe, ou melhor, eles não existem. Mas o que foi preciso, seu "príncipe encantado" fez e não fez só por fazer, fez com amor, fez por saber que era certo, fez para satisfazer-se e para satisfazê-la.

E depois de tudo isso e de tanto tempo passado, ela não acredita que amanhã será o seu fim, mas ela sabe que sim. Imagina das mil e umas maneiras possíveis, como e quão trágico será o triste desfecho de uma história mais ou menos linda. Faz teatros e mais teatros com somente os dois únicos personagens que realmente importam num momento tão simplório, por ser tão controverso.

No relógio bate a meia-noite, como clichê dos poetas infelizes por quererem ser para sempre poetas. As lágrimas já não descem como a uma hora e meia atrás, assim como soluços e sussuros. Não existe momento de mais fé no ser humano do que quando se está deitado no canto da cama com o rosto encostado na parede e é neste mesmo momento que o ser humano se odeia, por não receber nunca o troco desta mesma fé. Com Júlia não é diferente.

O que fazer quando a única saída que temos está lacrada? O que fazer quando percebemos que tudo o que nós mais queríamos está acontecendo, mas nós não queremos ser mais nós mesmos? Sim, esses são seus pensamentos, esses e outrso trilhares do mesmo gênero. Acabou, a verdade é essa. Não somos idiotas, imbecis ou cegos. Não somos burros. Na verdade, somos o que somos por assim querermos ser.

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