14.5.04

Ainda que fosse humano

Não acho que o mundo seja realmente um lugar seguro
Olhando assim, por outros ângulos impuros e planos
Não creio que a vida seja assim tão bonita como era ontem
Nem que aquela montanha azul fosse um som só para mim
Acho que os ecos dos sapecas da noite não foram escritos
Nem mesmo a figura mais limpa e clara de todo horizonte
Foi a mesma figura limpa e clara de um ontem quase hoje
E mesmo por isso é que vomito ao acaso
O caso da vontade de estar por entre as linhas mais uma vez mais

Então suave, volto a realidade
Onde as casas são de papelão bem grosso
E nossos sonhos de material inflamável
Você nem mais me importa
E minha mentira, nem é mais só minha
Já que somos todos cúmplices do desgaste
Já que somos todos miseráveis de mesmo globo girante
E gira...
E gira...
E gira...

Engraçado como é fácil falar assim de mim
Quando nem percebo que falo a mais bruta maldade
Somos nos nossos medos, homens.
Apenas homens medrosos querendo mais
E assim desistimos de tudo o que uma vez nós quisemos com total força
Depois no matamos de tanto arrependimento
Vida engraçada essa
Por isso eu digo sempre que te amo
Por isso eu te dou sempre um "boa noite"
E que sejamos felizes
Todos nós
Seres humanos