27.4.04

PERIGOS DE SE LEVAR A PRÓPRIA MULHER AO MOTEL...
> >
> > >
> > >Mirtes não se agüentou e contou para a Lurdes:
> > >- Viram teu marido entrando num motel.
> > >A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua
de
> >espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes.
> > >- Quando? Onde? Com quem?
> > >- Ontem. No Discretíssimu's.
> > >- Com quem? Com quem?
> > >- Isso eu não sei.
> > >- Mas como? Era alta? Magra? Loira? Puxava de uma perna?
> > >- Não sei, Lu.
> > >- Carlos Alberto me paga. Ah, me paga.
> > >Quando o Carlos Alberto chegou em casa a Lurdes anunciou que iria
> >deixá-lo.
> >E contou por quê.
> > >- Mas que história é essa, Lurdes? Você sabe quem era a mulher que
estava
> >comigo no motel. Era você!
> > >- Pois é. Maldita hora em que eu aceitei ir. Discretíssimu's! Toda a
> >cidade
> >ficou sabendo. Ainda bem que não me identificaram.
> > >- Pois então?
> > >- Pois então que eu tenho que deixar você. Não vê? É o que todas as
> >minhas
> >amigas esperam que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e
> >não
> >reagir.
> > >- Mas você não foi enganada. Quem estava comigo era você!
> > >- Mas elas não sabem disso!
> > >- Eu não acredito, Lurdes! Você vai desmanchar nosso casamento por
isso?
> >Por uma convenção?
> > >- Vou!
> > >Mais tarde, quando a Lurdes estava saindo de casa, com as malas, o
Carlos
> >Alberto a interceptou. Estava sombrio.
> > >- Acabo de receber um telefonema - disse. - Era o Dico.
> > >- O que ele queria?
> > >- Fez mil rodeios, mas acabou me contando. Disse que, como meu amigo,
> >tinha
> >que contar.
> > >- O quê?
> > >- Você foi vista saindo do motel Discretíssimu's ontem, com um homem.
> > >- O homem era você!
> > >- Eu sei, mas eu não fui identificado.
> > >- Você não disse que era você?
> > >- O que? Para que os meus amigos pensem que eu vou a motel com a minha
> >própria mulher? Que mico ?
> > >- E então?
> > >- Desculpe, Lurdes, mas...
> > >- O quê?
> > >- Vou ter que te dar uma surra...
> >
> >
> >
> > >(Luiz Fernando Veríssimo)

0 De lírio(s):

Postar um comentário (Comentar)

<< Início