27.4.04

Aí tá um conto que acho que vale a pena

O PORTEIRO DO PROSTÍBULO
>
> Não havia no povoado pior ofício do que "porteiro do prostíbulo". Mas
> que outra coisa poderia fazer aquele homem?
> O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha
nenhuma
> outra atividade ou ofício.
> Um dia, entrou como gerente do prostíbulo um jovem cheio de
> idéias,criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.
> Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.
> Ao porteiro disse:
> - A partir de hoje, o Senhor, além de ficar na portaria, vai preparar
um
> relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram
e
> seus comentários e reclamações sobre os serviços.
> - Eu adoraria fazer isso, Senhor - balbuciou - mas eu não sei ler nem
> escrever!
> - Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir
trabalhando
> aqui.
> - Mas Senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida
> inteira, não sei fazer outra coisa.
> - Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo Senhor. Vamos
> dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer.
>
> Eu sinto muito e que tenha sorte.
> Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora.
> O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse.
> Que fazer?
> Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele
a
> arrumava, com cuidado e carinho.
> Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.
Mas
> só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.
> Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de Ferramentas
> completa.
> Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em
uma
> mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra.
> E assim o fez.
> No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:
> - Venho para perguntar se você tem um martelo para me emprestar.
> - Sim, acabo de compra-lo, mas eu preciso dele para trabalhar ... já
que...
> - Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.
> - Se é assim, está bom.
> Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e
disse:
> - Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?
> - Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de
ferragens
> mais próxima está a dois dias mula de viagem.
> -Façamos um trato - disse o vizinho. Eu pagarei os dias de ida e volta
mais
> o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento.
> Que lhe parece?
> Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias .aceitou.
> Voltou a montar na sua mula e viajou. No seu regresso, outro vizinho o
> esperava na porta de sua casa.
> - Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo. Eu necessito de
> algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem,
> mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não
disponho
> de tempo para viajar para fazer compras. Que lhe parece?
> O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um
> alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi
embora.
> E nosso amigo guardou as palavras que escutara: "não disponho de tempo
para
> viajar para fazer compras".
> Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para
> trazer as ferramentas.
> Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais
> ferramentas do que as que havia vendido. De fato, poderia economizar
> algum tempo em viagens. A notícia começou a se espalhar pelo povoado e
> muitos, querendo economizar a viajem, faziam encomendas.
> Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia
o
> que precisavam seus clientes. Com o tempo, alugou um galpão para estocar
as
> ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e
> transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado.
> Todos estavam contentes e compravam dele. Já não viajava, o s
fabricantes
> lhe enviavam seus pedidos.
> Ele era um bom cliente.
> Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua
> loja de ferragens, do que gastar dias em viagens.
> Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou
> que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.
> E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras,
etc..
> E após foram os pregos e os parafusos...
> Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um
rico
> e próspero fabricante de ferramentas.
> Um dia decidiu doar uma escola ao povoado.
> Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício.
> No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da
> cidade, o abraçou e lhe disse:
> - É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a
> honra de colocar a sua assinatura na primeira página
> do Livro de Atas desta nova escola.
> - A honra seria minha - disse o homem.
> - Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o Livro, mas eu não
sei
> ler nem escrever, sou analfabeto.
> - O Senhor?!?! - disse o prefeito sem acreditar.
> - O Senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever?
> Estou abismado.
>
> Eu pergunto: o que teria sido do Senhor se soubesse ler e escrever?
>
> - Isso eu posso responder - disse o homem com calma.
>
> Se eu soubesse ler e escrever . ainda seria o porteiro do
> prostíbulo!
>
>
> Geralmente as mudanças são vistas como adversidades.
> As adversidades podem ser bênçãos.
> As crises estão cheias de oportunidades.
>
> Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto,
procure
> as janelas. Lembre-se da sabedoria da água:
>
> "A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna".

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