9.3.04

Uma Carta ao Amigo

Lembro quando aquele filho de uma puta caminhava com seu irmão para dentro daquele maldito avião. Seus olhos lacrimejavam, enquanto sua mão gorda escondia o rosto vermelho de saudade e medo. Porra, isso vem direto em minha mente.

Tudo mudou desde que ele foi embora (ao menos pra mim), não me sento mais a beira dos sons que ele fazia com os pés balançando juntinhos e meios de lado com “meu” violão, esses dias sair para tomar duas latinhas de cerveja e senti que faltava ele, ir para um show e não vê o seu corpo com os ombros encolhidos, dançando de olhos fechados com aquela expressão de garoto com vergonha (primeiro show do Wado aqui em Maceió) dá um puta vazio. É foda.

Um pouco perto do fim ele andava meio estranho, acho que a falta da disciplina deve ter ajudado nisso, não sei, não posso julgar o que nem conheço direito. Sei que se fosse para ir embora e ficar deitado o dia inteiro, era melhor que ficasse aqui, pois aqui ele era bem mais útil, do que apenas um boneco inflável, que vive uma subvida de vegetação corporal, mas creio eu que seus neurônios continuam maquinando (essa é minha esperança desesperada) e do nada, uma dia, haverá resultado.

Lógico que o motivo fora a carência e a saudade daqueles em que nos momentos mais difíceis de sua infância, estivaram lá, para mimar e para comprar os saborosos doces que o ajudaram engordar tanto.

Maldito seja, eu aqui com saudade e você aí, lambendo a bunda e crescendo a barba. Movimenta-se pois o mundo roda, movimenta-se que um dia você pode rodar o mundo. Caralho!!!

p.s.: Sinto Saudades. Muitas. Amo Você.

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