22.4.03

entre o céu e o inferno

uma batalha travada na divisa entre o céu e o inferno
corpos em chama, em sede, em guerra
água ardente nos bares de esquina com o destino
vapores e lavas, e ouro, e armas, e prata, e poesia
e o céu todo se abriu, trovejaram as nuvens
relâmpagos e trovoadas
e os anjos em fúria vestiram suas fardas, beijaram seus brasões
e com a proteção divina
atiraram-se como kamikases selvagens
rufaram-se as asas dos imperadores
o azul do ozônio ficara vermelho da cor do pecado
vulcões vomitaram demônios e buracos negros
e o cheiro de enxofre mostrara-se valente
venenos nas pontas dos dentes das serpentes
e os exércitos rubro-negros de escorpiões
caranguerejeiras e ratasanas
uns voltaram ao umbral, outros morreram nas cercas impenetráveis do nirvana
e a batalha assim continuou por séculos, séculos e mais séculos
gerações e civilizações nasceram, multiplicaram-se
sofisticaram-se, deixaram marcas, culturas, curiosidades
globalizaram-se, batalharam e sumiram (morreram)
até que nós dois nascemos e por baixo de nossos lençois
todas as forças ruins e todos as energias más fugiram (perderam)

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