29.4.03

andei pesquisando o tempo e seus caracóis de estimação, os livros lidos pelas hidras, e ninfas e yaras
-abram a porta, abram a porta, gritou o velho homem junto com o som do murro na madeira surrada
mas não deu tempo, esse tal de tempo, dá muito pra uns, toma o pouco dos outros
e o sangue escorria brecha a dentro
e os galopes dos corceis desciam a montanha como ventos que sopram do atlântico ao ártico
e junto com ela as folhas das árvores mal amadas pela solidão das brumas, e neves, e tiros, e estrupadores, e ladrões
a capelinha fora durante pouco tempo (e olha ele aí de novo) um bom refúgio
mas faltou comida, faltou bebida, faltou fé, sexo e munição
e meu antigo desejo ardente de que tempos e ventos, voem e voltem
tragam a paz dos pássaros, tragam o amor do ódio, o filho, o pai e o espírito santo
tragam todos os mantos e todos os bandos
tragam os manguezais e as flores azuis
tragam que eu trago, tragam que eu trago
nessa noite de festa à fantasia, de fogueira, e sombras e sul

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