7.3.03

Tupi já foi Guarani

pedra tão preciosa
nunca antes em seu jardim
brotara tão bela pétala de rosa
pedras no chão molhado de restos de água de mar
redes pesqueiras de fino esporte fino
alimantavam-se as almas e os corpos
e num quadro pendurado refletindo paisagem, um farol
tão bela lua, inspiração de todos os poetas
resolvia em tão importante noite se exilar
e por mais que tudo fosse bonito
ainda não era perfeito, além de tudo sujeito
preferiu-se esperar
as águas lentamente tornaram a voltar
econdendo o mesmo caminho
roubando os pães deixados para trilhar
e num ímpeto de loucura consciente
o quase tornou o que tornou menos que o por cento
um consolo no primeiro cigarro do dia em que ninguém iria fumar
rolaram-se os ventos e enxugaram-se por dentro
cada íssimo grão de areia num bando
num banco de praça, os coqueirais enfeitavam a raiva
a frustração de deixar escapar o que a certeza nem deixava acreditar
-senhora esperança, vem senhora esperença
traz-nos abrigo urgente, sim, eu disse urgente
que som é esse? que som é esse?
-é som de quem ainda não aprendeu a esperar
-não se pode deixar escapar um momento como esse
voltemos a caminhar, a caminhar e caminhar
peixes voavam felizes seus vôos rentes-áqua
pássaros cantarolavam o canto dos cantos dos senhores dos mantos
e os astros, agora todos eles, também foram se camuflar
estávamos, mas pareciamos não estar
o canto perfeito, reamente o canto perfeito
era o canto da água salobra cantarolando
alegria, alegria e algumas bossas de décadas passadas
nunca tivemos medo da chuva
tínhamos sim, muito medo de como desencarnar

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